Brasil é o 3º país mais caro do mundo para ter um carro, aponta estudo; América Latina domina ranking

Feed Logo 21 horas atrás 4

Ter um carro no Brasil continua sendo um dos maiores compromissos financeiros para milhões de famílias. Um levantamento internacional da empresa Scrap Car Comparison colocou o país na terceira posição entre os lugares mais caros do mundo para comprar e manter um automóvel.

De acordo com os dados divulgados, o custo necessário para adquirir e utilizar um carro no Brasil equivale a 461,9% do salário médio anual do país. Na prática, o percentual mostra que, considerando a relação entre os custos avaliados e a renda média, possuir um veículo novo representa um esforço financeiro equivalente a mais de 4,5 vezes o rendimento anual médio.

Apenas Filipinas e Colômbia aparecem à frente do Brasil no ranking. O levantamento também chama a atenção para outro dado: a América Latina domina a lista dos países onde ter um carro é mais caro proporcionalmente à renda da população.

Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial

No levantamento, as Filipinas aparecem como o país mais caro do mundo para possuir um carro, com um custo equivalente a 470,7% do salário médio anual.

A Colômbia ocupa a segunda colocação, com 466,1%, enquanto o Brasil aparece em terceiro lugar, com 461,9%.

Na sequência estão Turquia, Equador, Peru, Argentina, Uruguai, Costa Rica e Índia.

Sete dos dez países mais caros do ranking estão localizados na América Latina, evidenciando como a aquisição e a manutenção de um veículo podem pesar de maneira significativa no orçamento das famílias da região.


Ranking dos 10 países mais caros para ter um carro

  1. Filipinas — 470,7%
  2. Colômbia — 466,1%
  3. Brasil — 461,9%
  4. Turquia — 444,3%
  5. Equador — 412,1%
  6. Peru — 373,8%
  7. Argentina — 363%
  8. Uruguai — 338,9%
  9. Costa Rica — 304,1%
  10. Índia — 289%

Os números mostram uma realidade em que o custo de possuir um automóvel não depende apenas do preço exibido na concessionária. A capacidade de compra da população também tem um peso fundamental no resultado final.

Um veículo pode até custar menos, em valores absolutos, do que em outro país, mas ainda ser muito mais inacessível quando comparado à renda média de seus habitantes.

Como foi feito o estudo sobre os países mais caros para ter carro?

O levantamento da Scrap Car Comparison analisou 98 países e considerou diferentes despesas relacionadas à propriedade de um automóvel.

Entre os fatores avaliados estão o preço de compra do veículo, os gastos com combustível, seguro e reparos, comparados posteriormente com o salário médio anual de cada país.

O objetivo foi calcular qual percentual da renda anual média seria necessário para comprar e manter um carro.

Por isso, o estudo não significa necessariamente que o Brasil tenha o carro mais caro do mundo em preço absoluto.

O ranking mede o peso financeiro que ter um automóvel representa para a renda média da população.

Esse tipo de comparação ajuda a entender por que comprar um carro pode ser muito mais difícil em alguns países do que em outros, mesmo quando os valores dos veículos parecem semelhantes.

Por que ter um carro é tão caro no Brasil?

O alto custo dos veículos no Brasil é resultado de uma combinação de fatores.

O preço de compra de um automóvel já representa uma barreira importante para grande parte dos consumidores. Quando a aquisição é feita por meio de financiamento, entram na conta os juros cobrados durante o período de pagamento.

Depois da compra, surgem outras despesas que acompanham o motorista durante toda a vida útil do veículo.

Combustível, seguro, manutenção, troca de peças, impostos e outros custos obrigatórios fazem com que o valor real de possuir um carro seja muito maior do que apenas o preço pago no momento da compra.

O próprio levantamento aponta fatores como impostos e tarifas, custos com combustível e seguro e taxas elevadas de financiamento entre os elementos que ajudam a explicar a posição brasileira.

Para muitas famílias, o veículo também exige uma parcela significativa do orçamento mensal, principalmente quando existe uma prestação de financiamento.

Financiamento pode aumentar ainda mais o peso no orçamento

A compra financiada é uma das alternativas mais utilizadas por consumidores que não possuem dinheiro suficiente para adquirir um veículo à vista.

Porém, os juros podem elevar consideravelmente o custo total da operação.

Um carro anunciado por determinado valor pode terminar custando muito mais após o pagamento de todas as parcelas. Dependendo do prazo e da taxa de juros, o consumidor pode comprometer uma parte relevante de sua renda mensal durante vários anos.

Além disso, mesmo depois de quitar o financiamento, o proprietário continua tendo despesas permanentes.

Ter um carro significa manter um conjunto de custos contínuos, que inclui abastecimento, manutenção preventiva, eventuais reparos, seguro e tributos.

Por isso, especialistas em educação financeira costumam recomendar que o consumidor avalie não apenas se consegue pagar a parcela, mas também se possui condições de arcar com todas as demais despesas do veículo.

Estados Unidos aparecem entre os países mais acessíveis

Na outra ponta do ranking, os Estados Unidos aparecem como o país mais acessível entre os analisados na divulgação mais recente do levantamento, com o custo de ter um carro equivalente a 56,4% do salário médio anual.

A Austrália aparece logo depois, com 61,8%, seguida pelo Canadá, com 68,9%.

Também figuram entre os países mais acessíveis na comparação nações como Países Baixos, Noruega, Alemanha, Suécia e Finlândia.

Ranking dos países mais acessíveis para ter um carro

  1. Estados Unidos — 56,4%
  2. Austrália — 61,8%
  3. Canadá — 68,9%
  4. Países Baixos — 83,5%
  5. Noruega — 88,1%
  6. Alemanha — 89,1%
  7. Suécia — 90,5%
  8. Finlândia — 95,5%
  9. Irlanda — 105%
  10. Reino Unido — 105,2%

A diferença entre os primeiros colocados e os países no topo da lista dos mais caros evidencia a importância da relação entre renda e custo de propriedade.

América Latina concentra os maiores custos proporcionais

Um dos dados mais marcantes do estudo é a presença de países latino-americanos entre as primeiras posições.

Além de Brasil e Colômbia, aparecem no ranking Equador, Peru, Argentina, Uruguai e Costa Rica.

Isso indica que o problema não está restrito ao mercado automotivo brasileiro.

A combinação entre veículos caros, custos elevados para manutenção e abastecimento e menor poder de compra da população torna o automóvel proporcionalmente mais caro em grande parte da América Latina.

Para milhões de pessoas, o carro continua sendo uma necessidade ligada ao trabalho, aos deslocamentos diários e à falta ou insuficiência de transporte público em determinadas regiões.

No entanto, o custo para manter essa mobilidade pode representar uma das maiores despesas mensais de uma família.

O que o ranking revela sobre a realidade brasileira?

A terceira posição mundial reforça uma percepção já conhecida por muitos motoristas: ter um carro no Brasil vai muito além de conseguir comprá-lo.

O verdadeiro impacto financeiro aparece ao longo do tempo, com a soma de combustível, impostos, manutenção, seguro e outros gastos.

O levantamento também demonstra que analisar apenas o preço de um carro não é suficiente para entender se ele é acessível.

A relação entre custo e renda é decisiva.

No caso brasileiro, o estudo aponta que possuir um automóvel novo ainda exige um enorme esforço financeiro da população, colocando o país entre os três mais caros do mundo nesse tipo de comparação.

Com os altos custos envolvidos, a decisão de comprar um veículo exige cada vez mais planejamento. Antes de fechar negócio, o consumidor precisa considerar não somente o valor da entrada ou da prestação, mas calcular quanto o carro deverá representar no orçamento ao longo dos próximos anos.

Afinal, como mostra o ranking, para o brasileiro médio, comprar um carro é apenas o primeiro passo de uma despesa que continua muito tempo depois de sair da concessionária.